Wednesday 18 July, 2007...9:00 am
Carbono zero: por um mundo sustentável?
Em 2005 começou a ser implementado o Protocolo de Kyoto que obriga os países que firmaram esse acordo, atualmente 169, a reduzir suas emissões de CO2 conforme distintos parâmetros. Assim nasceram os projetos de carbono
. São projetos de redução e captação de emissão de CO2 com o objetivo de compensar as emissões de gases de efeito estufa (GEI) que as empresas geram. Para levá-los a prática, as Nações Unidas criaram o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM). O CDM inclui um regulamento para assegurar que os projetos acolhidos por ele gerem reduções de emissões reais, adicionais e verificáveis, e se apóiam em entidades independentes que certificam todo o processo. O mais importante deste acordo é que se cumpra sempre com a cláusula chamada Additionality que determina que o projeto de compensação não acabe produzindo mais contaminação.
Como isso funciona? A empresa procura uma consultora para que essa quantifique suas emissões de GEI. O diagnóstico desta análise se chama “carbon footprint” (rastro de carbono) e é medido em toneladas. A lei de cada país determina quanto é a máxima emissão permitida e o que excede a isso a empresa tem que compensá-lo.
Como é feita a compensação? Através de um plano de desenvolvimento limpo ou mediante a compra de bônus de carbono, um mecanismo criado no Protocolo de Kyoto para que os países se sintam incentivados financeiramente a reduzir o efeito estufa. Um crédito equivale a uma tonelada de carbono. A empresa que quer compensar seu excesso de emissões pode comprar estes bônus, de acordo com as toneladas de carbono em que tenha se excedido devido a sua atividade. Compensando seu excesso de emissão de GEI, pode chegar à qualificação de CARBONO ZERO. A empresa que vende os bônus de carbono, certificada e autorizada para isso, destina esse dinheiro a projetos de reflorestamento ou implementação de algum outro tratamento para a captação desse carbono.
Outra possibilidade é que a empresa reduza suas emissões excedendo o parâmetro imposto pelas normas e isso lhe dá o direito de vender esses bônus de carbono excedentes gerados por seu projeto de desenvolvimento limpo. Os bônus também podem servir como fundos de inversão dos países industrializados para projetos de produção limpa que se executam em países em desenvolvimento, a um custo muito menor.
O mercado do carbono se converteu em um grande negócio para muitos e se leva a cabo em dois grandes centros: Chicago Climate Exchange e European Climate Exchange
. Os que entendem de negócios dizem que isso será uma grande fonte de riqueza no futuro. Outros vêem estas transações como uma grande fonte de desigualdade.
O certo é que as empresas estão destinando cada vez mais tempo e dinheiro a esse tema, seja para gerar uma verdadeira mudança de mentalidade ou simplesmente porque essa é a tendência atual e a sustentabilidade é a plataforma sobre a qual será construída uma nova ordem econômica. Os primeiros passos estão sendo dados e os resultados já podem ser conferidos. Microsoft, Google e outras empresas estão investigando como otimizar o uso energético de seus computadores. Algumas linhas aéreas já informam quanto CO2 vão emitir em seus vôos.
Tudo se encaminha para a construção de um mundo mais sustentável. Os projetos de “carbono zero” são mais uma tentativa. Na Inglaterra, há pouco tempo, foi apresentado um modelo de casa “carbono zero” criado pela empresa irlandesa Kingspan Century: seu custo é 40% maior que uma construção standard, seus materiais foram produzidos de forma sustentável, sua fonte de energia é solar e sua fonte de água é a chuva.
Vocês estão convidados a conhecê-la.



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