Monday 21 January, 2008...5:23 am

Perdidos em tudo*

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By Santiago Craig

Dizem que tudo está na Internet.

Na verdade não, não está tudo aí. Eu, pelo menos, não pude encontrar o cheiro de pimenta nem o sabor ácido dos morangos no Google. Mas com certeza aí existem muitas, mas muitas coisas.

Nunca na história da humanidade tantos homens tiveram tanta informação a sua disposição.

É quase um lugar comum dizer, mas isso tem suas vantagens e seus problemas. Uma vantagem, claro, porque é uma ferramenta essencial para a circulação do conhecimento, para o intercambio, e para o início de uma nova forma de inteligência: a inteligência coletiva. Um problema porque enfrenta nossa ética, nossa vontade e inclusive a nossa paciência a novos dilemas.

Eu não farei referência aos conteúdos violentos ou pornográficos, nem às instruções para armar uma bomba caseira, nem aos usos criminais da web. Tudo isso esta dentro do jogo democrático e é um tema para um debate mais amplo. Falarei de algo um pouco mais simples, mas não por isso pouco importante: o final dos filmes.

Há uns dias no jornal argentino Pagina 12 saiu uma reportagem que comentava como um garoto havia “limpado” o ruído da última cena do filme “Encontros e desencontros” deixando descoberto o que o protagonista Bill Murray dizia no ouvido de sua companheira feminina, Scarlett Johansson. Agora todos podem saber essa linha final que a diretora do filme havia decidido deixar (muito poeticamente) livre para a imaginação do público.

Sem importar se estou ou não de acordo com o “descobrimento” o certo é que, como dizia antes, a Internet nos coloca frente a novos desafios, que nos obrigam a pensar sobre nossa condição: Que coisas queremos saber e que coisas preferimos deixar do lado do mistério?; O que mostramos e o que ocultamos em nosso blogs, nesse espaço público universal que é a rede?; Que sentido damos a nossas buscas, por que escolhemos ver ou não ver o que já está fatalmente aí, ao nosso alcance?; Do uso racional e subjetivo da Internet podemos derivar uma aprendizagem moral, uma formação na eleição e na convivência de saberes, opiniões e eleições diferentes?

* Originalmente o filme se chama “Lost in translation”, que para o espanhol foi traduzido a “Perdidos em Tóquio”, o que explica a referência do título.

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