Tuesday 22 January, 2008...5:29 am

Cuidemos dos bosques: vejamos as árvores.

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By Ernesto van Peborgh

Sempre tive uma fascinação pelas árvores. Quando eu era garoto vivia fazendo cumes e saltando entre seus galhos. Desde a minha primeira “casinha”, improvisada com uma tábua e dois pregos, pude criar inúmeros mundos mágicos: navegar pelos mares da Malásia, infectado de piratas, ou defender as muralhas de um forte da Legião estrangeira no meio de um deserto. Foram Carvalhos, Eucaliptos ou Pinheiros. Quando os meus pés saíam do chão, a minha mente entrava em seu mundo e no da fantasia.

Os mundos mágicos que a minha imaginação podia criar não estavam tão longe da realidade, já que cada árvore representa um pequeno mundo em si mesmo, um ecossistema que dá vida e enriquece a terra.

Ela representa um claro exemplo do que significa ser sustentável: utiliza o sol como fonte de energia para criar nutrientes e dar refugio a um submundo onde convivem centos de diferentes espécies de animais, pássaros e microorganismos. Produz oxigênio, processa CO2, filtra a água e previne a erosão.

Nada se perde, tudo se aproveita para gerar e manter a vida. Não existem desperdícios, não existem resíduos. Sobre sua sombra e de seus frutos nasce um sotobosque que dá continuidade ao ciclo da vida de outras espécies e da sua própria.

Há pouco tempo, na Argentina, graças a uma convocatória do Greenpeace, conseguiu-se juntar quase um milhão e meio de assinaturas, as quais finalmente centraram o objetivo das autoridades na Lei de Bosques.

Mais de um milhão e meio de pessoas se conscientizaram da depredação que estávamos realizando em nossas árvores nativas: na Argentina eram devastados cerca de 300.000 hectares de bosques nativos por ano. Essas cifras estão alinhadas com um processo que ocorre a nível mundial: 80% dos bosques nativos do mundo já foram cortados e nesse momento apenas na Amazônia estão sendo cortadas 2.000 árvores por minuto.

Parece que cumprir com o legado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro já não é suficiente. Conservar uma árvore talvez tenha se transformado na ação mais importante para que esse filho que temos, ou teremos, não apenas possa criar “seus” mundos mágicos, mas que também posso desfrutar desse mágico mundo.

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