Saturday 23 August, 2008...8:32 am

“Partindo da angústia se geram as mudanças”

Ontem eu e a Alejandra assistimos a conferencia do Leonardo Boff em Buenos Aires, convidado pela Fundação Avina. Estávamos entusiasmadas por escutar a este pensador brasileiro, comprometido com os valores do desenvolvimento sustentável. Mas nós não éramos as únicas. A sala estava repleta e tivemos que passar para outro auditório, o maior do Centro Cultural Borges. O ex-sacerdote franciscano (com sua barba branca e bengala), demonstrou seu sentido de humor quando brincou pelo resultado do jogo das Olimpíadas Brasil- Argentina. Durante os 40 minutos restantes, compartilhou generosamente sua visão da humanidade.

Para Boff, a atual crise e o futuro do planeta podem explicar-se apelando a explicações filosóficas, mas também biológicas. Citou, como um de seus referentes, o biólogo James Lovelock, autor do famoso livro Gaia (1979), quem recentemente declarou: “Se nós, seres humanos, não iniciamos uma mudança radical antes de 2020, vamos em direção à desolação e à tribulação”.

Em sintonia, Boff insistiu na urgência de uma mudança na forma em que nós nos relacionamos com a natureza. “Minha função é angustiar vocês, porque partindo da angustia se geram as mudanças”, disse, sem deixar de lado as palavras esperançosas. “Estas dores são dores de um novo parto, a Terra e a humanidade vão a superar isto porque o instinto da vida é mais forte que o da morte”.

Boff também falou de um tema central da sua obra que é o cuidado com a essência do ser humano. O cuidado da vida, das palavras que escolhemos para nos comunicar, cuidado de não ser agressivos, de não causar dano. Deste cuidado surge um modo de vida sustentável, uma cultura ecológica que deve permear toda a vida humana; uma ética da convivência, onde prevalece uma razão utilitarista.

Durante sua apresentação, mostrou um vídeo sobre a Carta da Terra, compromisso que espera seja adotado pela ONU sob as mesmas condições que a Declaração dos Direitos Humanos.

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