
Todo mundo está vendo a importância que as redes sociais estão tendo na crise do Egito. Após 20 dias de violentos protestos de rua que deixaram mais de 300 mortos e 5 mil feridos, o presidente Hosni Mubarak, renunciou ao cargo. Mas será que podemos dizer que essa foi uma revolução da internet? Será que o mérito dessa grande mobilização social se resume a 140 caracteres? Acho que não.
O sociólogo espanhol, Manual Castells , autor do livro “Sociedade em Rede ”A Era da informação: Economia, sociedade e cultura”, já havia alertado: “Se um país não quer mudar, não é a internet que irá mudá-lo”.
É inegável a importância que as redes sociais tiveram na disseminação das informações sobre a crise no Egito. No entanto, afirmar que todo o mérito desse movimento social é do Twitter, Google e Facebook é desmerecer milhares de egípcios que foram às ruas, arriscando a própria vida para acabar com uma ditadura de 30 anos.
No livro, “O poder das redes”, David Ugarte foi beber na fonte dos movimentos sociais para explicar como é possível criar e movimentar uma rede social. Resumidamente, o sociólogo acredita que é preciso ter uma causa para mobilizar as pessoas em torno de um tema ou de uma empresa.
O capital humano e social por trás da web 2.0 deve estar preparado e, principalmente, indignado e envolvido o suficiente para se mobilizar. O que vale, aqui são os contextos cultural, social e econômico em que as pessoas utilizam tais ferramentas.
O uso das redes sociais no Egito demonstrou a força que a internet tem de propagar uma mensagem de forma instantânea, porém é preciso que do outro lado haja receptores prontos para consumirem e massificarem tal informação, dando continuidade a um processo que pode chegar a proporções infinitas.
Está claro, portanto que o poder das redes sociais e suas ferramentas consiste em amplificar causas, angariando mais e mais pessoas para a mobilização e/ou discussão.
Episódios como esse demonstram que sim, é possível mudar nossas vidas, nosso bairro, nossa comunidade, nossa cidade, nossa empresa, nosso país, nossas ideias.
Causas já temos demais. A causa maior do “El Viaje de Odiseo” é a sustentabilidade. E as ferramentas estão todas aí, a nossa disposição. Então, o que está faltando para a gente mudar o mundo? Que tal a gente começar agora?