Hoje eu li uma coisa bem interessante no Catraca Livre, e resolvi dividir com vocês. É sobre uma nova maneira de diminuir a quantidade de carros na cidade e chama-se serviço de Carsharing. Minha amiga Ana Paula, aqui da Odiseo, tinha me falado sobre uma matéria do Catraca sobre compras coletivas, e nos links relacionados, estava essa novidade.
De acordo com a matéria, o serviço sai mais barato do que o aluguel convencional e inclui gasolina e seguro. A empresa que oferece o serviço se chama Zazcar,e é a única na América Latina (embora a prática seja popular em outras regiões) que aluga carros em regime de compartilhamento
Eu achei a ideia brilhante, pois é uma maneira muito inteligente de diminuir o trânsito e a poluição nas grandes cidades, mesmo tendo em vista a resistência de muitas pessoas em adotar o transporte alternativo. Um mesmo carro pode ser usado por diferentes pessoas, e nenhuma delas vai perder o “conforto” proporcionado pelo veículo, ao mesmo tempo em que poupa-se, de uma só vez, dinheiro e o meio ambiente. O serviço funciona de um modo bem simples: O usuário cadastra-se por internet ou telefone, recebe seu cartão pessoal, e o utiliza desbloquear o veículo na hora de usar.
A utilização em si baseia-se em um sistema de pontos de estacionamento (PODs). quando deseja utilizar o veículo, o motorista faz a reserva, vai até um dos pontos, e a partir daí é só seguir viagem. Com mais dinheiro no bolso e menos peso na consciência.
É sempre bom lembrar que há outras opções, ainda mais em conta, como organizar caronas entre colegas de trabalho que moram próximos, e até mesmo estender o hábito a amigos e conhecidos que vão trabalhar ou se divertir em uma mesma região.
Já existe até um site que se dedica exclusivamente à incentivar as caronas entre universitários, e eu acho que é questão de tempo pra que surjam muitos mais, focados nos mais diversos grupos de pessoas.
E você, o que acha de pegar uma carona, ou compartilhar o aluguel de um carro?
Neste novo momento do blog, pensei bastante em como eu poderia contribuir com algum assunto relevante.
Mas antes de ter ideias mirabolantes, decidi falar de algo que me intriga. Então, pensei em falar sobre vocação.
Lendo o blog Emprego&Carreira, voltado para a orientação de carreira, comecei a refletir.
Qual é a minha real vocação? O que eu sei fazer de melhor? Do que sou capaz? Como posso e consigo contribuir para minha realização e a do outro?
Penso muito que vocação tem muito a ver com a educação que recebemos, com nossos valores, com quem somos em nosso íntimo. Por isso falam tanto que precisamos nos autoconhecer, para descobrir o que sabemos fazer de melhor.
qualidade e tendência para qualquer estado, ofício, profissão.
Passamos muito tempo de nossa vida no trabalho e fazemos a escolha da profissão muito cedo, quando ainda somos pouco amadurecidos. Nunca é tarde para entender isso, e por vezes decidir até mesmo mudar de profissão. Hoje, depois de reflexões, ao longo de anos, sinto que fiz a escolha certa pela área de humanas.
Gosto de me relacionar, conversar, e tenho um lado de percepção forte, e isso me ajuda muito a exercer a minha função. Trabalhar com Atendimento ao Cliente exige, antes de tudo, perfil profissional. Mas ter o perfil tem alguma relação com a vocação? Na verdade, a vocação e o perfil andam juntos. Se você tem vocação para uma profissão, é porque tem as qualidades para exercê-la, e que estão de acordo com o perfil.
Busquei algumas definições de minha atuação profissional, para embasar essa conversa.
A função de Atendimentode comunicação exige uma relação muito direta com o perfil profissional. Como sabemos, toda a função exercida em empresas exige um determinado perfil pessoal e profissional. No caso do profissional de atendimento ele deverá conter em seu perfil as qualidades pessoais como: boa comunicação, educação, simpatia, gostar de servir, ser gentil, equilíbrio emocional e, acima detudo, gostar de gente.
Esse profissional é o interlocutor que tem por objetivo traduzir as necessidades do cliente de forma abrangente e ter a visão de multiplicidade de ferramentas, para fazer a ponte entre a agência e o cliente. E o cliente tem que ter confiança no trabalho do Atendimento.
Por coincidência, encontrei um vídeo antigo do nosso cliente Monster, e que proporciona a reflexão sobre vocação.
Ainda tenho questões em minha mente, mas fico feliz em poder compartilhar o tema. E você, sabe qual é a sua vocação?
Não era pra ser essa a pauta de hoje, mas eu fiquei tão contente com isso que tive que postar: agora está provado, a energia solar é economicamente viável. A notícia é do Olhar Digital, e pode ser lida aqui. De posse dessa informação, cabe à sociedade questionar a utilidade e a necessidade de projetos como a infame usina de Belo Monte, a hidrelétrica de Três Gargantas e outras tantas depredações ambientais justificadas com base na falta de outras alternativas. Alternativas existem, cabe a nós cobrar sua implementação. Afinal, somos nós que vamos sofrer o impacto disso tudo…
A foto lá em cima é da usina de Moura uma das maiores usinas solares do mundo, em Amareleja, Portugal.
Dizem também que existem registros de onças na serra da cantareira. Onça pintada eu não sei se de fato tem, mas onça parda (puma), jaguatirica e até bugio são animais que sempre aparecem nos quintais e nas estradas do extremo norte da cidade de São Paulo (serra da cantareira). Garças, capivaras e mergulhões são bem comuns perto dos cursos d’água, até nos mais poluídos. E quem é que não se lembra dos famosos jacarés fotografados e filmados nadando no rio Tietê?
Pois é, existe vida selvagem na megalópole, porque a vida se adapta ao ambiente. Mas ela é escassa, a bem da verdade. Escassa e mal cuidada pela gente, que deveria cuidar da flora e da fauna da cidade com o maior carinho, até porque ela é uma prova da capacidade da natureza em se adaptar. Então por que não tentarmos nos adaptar um pouco à essa vida selvagem também?
As estruturas feitas pelo homem são muitas vezes adequadas como “casa” para diversas espécies, principalmente de aves. Apesar de não terem sido pensadas para este fim, acabam servindo a ele. Talvez tenha sido pensando nisso que desenvolveram o conceito da Sea Tree, um projeto holandês que visa integrar a biodiversidade no espaço urbano. E olha que a Holanda não chega nem perto da cidade de São Paulo em termos de biodiversidade…
Aí eu me pergunto: por que a gente aqui no Brasil, berço da maior biodiversidades do mundo, não começa a incentivar esse tipo de iniciativa? Poderiam existir projetos diferentes para diferentes regiões, e assim não teríamos que necessariamente destruir o espaço das outras espécies para construir o nosso, mas sim partilhar o mesmo espaço, com respeito e dignidade.
Além dos benefícios óbvios, como a melhoria da qualidade do ar devido à maior cobertura vegetal, a diminuição de pragas por conta da ação de predadores, etc, também teríamos o benefício subjetivo, porém não menos importante, da convivência com a natureza, uma vez que é sabido que essa convivência beneficia o ser humano. E tal integração não é só responsabilidade de grandes empresas, ou dos governos. É responsabilidade de cada cidadão.
Uma árvore no quintal, um comedouro para pássaros na janela do apartamento, coisas simples, mas que trazem benefícios imensos e não são difíceis de fazer nem requerem um cuidado intenso. Coisas que qualquer um pode colocar em prática pra tornar a selva de pedra uma selva de verdade, um espaço equilibrado, onde todas as criaturas da natureza possam conviver harmoniosamente. Eu acho possível, e vocês?
Ps: Os animais e plantas citados no post não são prejudiciais aos seres humanos, ao contrário, são benéficos desde que respeitados e compreendidos, e nos ajudam a nos livrar de muita coisa que nos faz mal… Ah, e a imagem que ilustra o post é uma concepção artística da tal Sea Tree, desenvolvida pelo Waterstudio, empresa holandesa de arquitetura, responsável pelo conceito do projeto. E pra quem quiser saber mais sobre a fauna e a flora da Serra da Cantareira, eis uma boa fonte de informação aqui.
O que é mais sustentável, livro tradicional de papel, ou e-book? A resposta parece óbvia: os e-books não utilizam papel, e portanto não causam desmatamento, despejo de resíduos tóxicos na natureza, etc, sendo, deste modo, menos agressivos ao meio ambiente, certo? Errado.
Nick Moran, editor do “The Millions”, publicou em um artigo os dados acerca da pegada de carbono de leitores digitais e comparou com os números daqueles que leem livros impressos. Segundo sua conclusão, os e-readers, como Kindleou iPad, possuem pegada de carbono 200 a 250% maior que uma biblioteca.
E tem mais: devido às trocas constantes de aparelhos, as emissões de gases de efeito estufa tendem a aumentar como consequência da produção em massa desses aparelhos. Além de que, sendo os e-readers artigos predominantemente pessoais, a tendencia é que cada indivíduo possua um desses produtos para seu uso exclusivo (o que resulta em mais unidades produzidas).
E os e-readers são cada vez mais populares. Só nos Estados Unidos, o principal mercado consumidor do segmento, foram comercializados, em 2011, um milhão de Kindles por semana e a Apple afirma ter vendido 40 milhões de iPads. O que soma 31% das vendas das editoras.
Um dos principais argumentos a favor desses dispositivos são os gastos e impactos gerados pela impressão e transporte de livros tradicionais. Argumento que deixa de lado o fato de que a fabricação e venda dos e-readers também necessita de tudo isso, embora de modos diferentes.
Um dos defensores dessa teoria é Allen Tellis,da National Geographic, que recentemente afirmou que os impactos ambientais destes modelos eram compensados após a leitura de 14 livros no mesmo aparelho. E foi contestado pelo The New York Times, que publicou dados que dizem que a necessidade da leitura é de até cem livros digitais para compensar as emissões. Some-se a isso o fato de ser necessário 50 vezes mais combustível fóssil para produzir um e-reader em relação aos livros impressos, ainda que se coloque na ponta do lápis os gastos energéticos com a iluminação para a leitura.
Fazendo as contas, para realmente minimizar os impactos causados pelos equipamentos digitais, o ideal seria utilizar o aparelho por, no mínimo, cinco anos. O que nos leva a crer que, por enquanto, talvez seja melhor continuar recorrendo à antiga invenção de Gutenberg…
Ah, mais uma coisa: pra quem se interessou, dá pra calcular a sua pegada de carbonoaqui.
O Dia do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Desde então, muita coisa mudou para melhor.
E o que está por vir? Qual é o futuro do trabalho na era do conhecimento?
Achei pertinente traduzir o post da Andresa Guareschi sobre essa questão. Em tom de manifesto – bastante apropriado para a data – nossa colega da Odiseo Argentina aponta as principais mudanças que estão por ocorrer:
Não importará onde e quando as pessoas farão seu trabalho, desde que cumpram os objetivos nos prazos estipulados;
O trabalho deixará de ser um lugar para onde vamos e passará a ser algo que fazemos;
Algo que fazemos com prazer, porque a linha que distingue o trabalho da diversão será cada vez mais tênue;
Os dispositivos móveis como smartphones e tablets impulsionarão a conectividade remota e com isso nossa casa se parecerá cada vez mais com o escritório e o escritório parecerá cada vez mais com nossa casa;
As mídias sociais serão incorporadas como parte do ecosistema de meios laborais;
As intranets colaborativas oferecerão as ferramentas necessárias para que as equipes de trabalho desenvolvam seus projetos coletivamente sem que se encontrem necessariamente no mesmo edifício, cidade ou país;
As pessoas não se encontrarão para fazer business. Se encontrarão para fazer Bleasure (Business + Pleasure);
O trabalho do futuro, como toda mudança cultural, encontrará uma forte barreira nas empresas devido ao choque entre duas gerações, que falam idiomas diferentes;
Neste contexto, surgirão novos líderes, cujo papel será gerir a colaboração e o fluxo de conhecimento coletivo que emergirá como consequencia da interação nesses espaços.
E você? Tem algum palpite de como será o trabalho no futuro? Comente, dê sua opinião.
No post anterior, falamos sobre um modo equivocado de utilizar os aplicativos para Facebook. Nada mais justo que falar agora de um aplicativo realmente útil: o Dois Camelos, um app que visa mudar a postura do consumidor , promovendo o consumo consciente através da troca de produtos.
O app tem como missão “Promover o consumo consciente, realizado de forma humana, socialmente justa e saudável” . O objetivo é facilitar o contato entre os interessados em fazer trocas, definidos na ferramenta como “pessoas conectadas por uma causa”.
A ideia para criar o aplicativo surgiu a partir da arquiteta Fernanda Athayde que se deu conta do desperdício de objetos em sua própria casa. Foi assim que ela começou a trocar o que não precisava mais com seus parentes. Só depois é que surgiu a ideia de expandir as trocas desenvolvendo um aplicativo, o que possibilitaria que um número muito maior de pessoas fosse atingido.
A utilização do aplicativo é simples: o usuário cadastra as coisas que deseja trocar e o aplicativo faz a divulgação para a rede até encontrar um possível negócio. A empresa foca em amigos do Facebook e em moradores próximos (o que aumenta ainda mais o clima de naturalidade), daí a importantância cadastrar o CEP.
Depois de encontrado o possível “negócio”, o próprio usuário entra em contato para combinar como e onde fará a troca dos produtos. Entretanto, para facilitar ainda mais, há sugestões de como proceder com a troca, seja pelos Correios ou por uma rede de locais públicos e privados pré selecionados.
Há também a opção de personalizar o app. Ao entrar na página o usuário tem disponível o seu perfil, as trocas feitas, clubes de troca, pontos de troca, busca de produtos e um suporte para ajuda.
Segundo o blog da empresa que o desenvolveu, o aplicativo pode ser navegado em conexão segura. Isso garante que a informação transmitida entre o cliente e o servidor não seja visualizada por terceiros. De acordo com a página do aplicativo, já há 3.000 usuários mensais. uma excelente iniciativa, em tempos de obsolência programada.
Estive pensando sobre o compartilhamento automático de notícias…e depois de notar como esse tipo de ação vem crescendo, e o quanto tem incomodado a mim e a muitas outras pessoas (vide a quantidade de artigos indignados sobre isso) , decidi escrever sobre o tema.
Recentemente os sites de notícias, portais e a velha mídia descobriram (muito tarde, diga-se de passagem) o poder e o alcance das redes sociais. Na busca por audiência na web, passaram a utilizar esse recurso, mas de modo, a meu ver, um tanto equivocado.
Tais canais de comunicação, apesar de pretenderem se inserir dentro do novo paradigma, continuam a ter uma postura impositiva, resquício do tempo em que havia o a mídia e as pessoas, coexistindo em um relacionamento verticalizado.
um exemplo emblemático dessa maneira de pensar são os aplicativos de notícias que possibilitam que você descubra novas notícias a partir das que seus amigos estão lendo. Tais aplicativos, presentes no Facebook, tem como objetivo, ao que parece, eliminar qualquer desvio ou intermediação na hora do compartilhamento, mas acabam por tomar um viés negativo, o da imposição.
Eu creio firmemente que a internet não é uma grande novidade em termos de comportamento, e sim um veículo que expõe comportamentos humanos. comportamentos naturais, autênticos, e por isso mesmo dignos de atenção e imbuídos de valor.
Comportamentos que não devem, a meu ver, ser direcionados, nem agrupados dentro de um padrão qualquer, uma automatização do cotidiano.
De modo que obrigar o usuário a compartilhar algo, é, na verdade, forçar um comportamento que não é natural. Compartilhar ou não compartilhar deve ser uma opção e não algo obrigatório. Pessoas compartilham o que tem significado e importância para elas, conteúdos que julgam importantes para as outras pessoas com quem estão conectadas.
O compartilhamento é uma maneira obter e repassar conhecimento, um modo de estabelecer laços e ser notado pelo público que se quer atingir. Ao automatizar e banalizar o ato de compartilhar, esses apps acabam por tiram do leitor a opção de usar esse conhecimento como uma maneira de se integrar e se destacar, desequilibrando toda a cadeia das redes sociais. Pois sim, existe uma cadeia nas redes sociais, uma cadeia que emula a natureza, uma vez que é composta de seres humanos, seres naturais. E a natureza não é simples e automatizada. Ela é complexa e imprevisível.
Os apps de notícias estão, na realidade, estimulando um compartilhamento fraco, vazio de conteúdo real, estão usando premissas erradas.
Compartilhar é algo que deve ser estimulado através de reações e interesses naturais, e não imposto por recursos automatizados, que simplesmente mostram onde os usúários estão clicando.
Quando eu digo, com minhas palavras, minha opinião acerca de determinada notícia, e insiro o link para a mesma em meu wall post, estou de fato endossando ou não algo que faz parte da minha esfera de interesses. No entanto, quando um app salta na timeline de um amigo meu, informando que eu li a notícia “X” ou “Y”, a única coisa que esse aplicativo está fazendo é exatamente isso: Informando o que estou fazendo.
E o que eu estou fazendo em um determinado momento nem sempre reflete meu real interesse, e nem o que eu realmente me interesso em compartilhar, até porque, muito da atividade na internet é relacionada a estudo e pesquisa, e eu posso encontrar as coisas mais díspares enquanto pesquiso sobre um determinado tema. E clicar tanto nas mais interessantes quanto nas mais irrelevantes do meu ponto de vista.
Claro que isso pode ser apenas uma maneira de começar a gerar novas conversas acerca de um tema qualquer, mas suponhamos que eu clique em uma notícia, e comece a ler. O aplicativo de compartilhamento automático não espera que eu forme uma opinião sobre o assunto, ele simplesmente dispara pra minha rede de contatos que eu li tal notícia. Esse dado é compartilhado com meus contatos do Facebook antes de eu ter tempo de formar uma opinião, antes de eu estar municiado paras debater. Ao tentar facilitar a geração de assuntos e contato entre as pessoas, esses apps obscurecem a função mais importante do compartilhamento, que é explicitar minha opinião acerca de determinado assunto.
Eu poderia ler a notícia, acha-la irrelevante, e simplesmente ignora-la.Compartilha-se o que nos causa uma reação importante, seja positiva ou negativa.
É importante descobrir novos assuntos e temas mas apenas quando isso reflete meu interesse, ou quando é pertinente para as pessoas com quem me relaciono. O que não é relevante para mim não demonstra quem eu sou, não revela minha personalidade enquanto indivíduo, e é isso que se busca na web, relacionar-se com as pessoas, compreender quem são essas pessoas, estabelecer um relacionamento plural baseado em transparência. Portanto, é vantajoso que se compartilhe o que de fato impacta sua vida, o que influencia sua opinião e o que você acha que pode influenciar a opinião de outros, e fomentar um debate útil. E esse tipo de compartilhamento está sendo trocado pela automatização. Não sei se tal coisa é causa ou reflexo do excesso de conteúdo compartilhado, mas da maneira que as coisas estão sendo colocadas, os aplicativos de notícias têm sido mais úteis para os veículos conseguirem visibilidade do que para o público se colocar em uma posição de questionar e fomentar o debate.
Por mais inocente que pareça, esse compartilhamento forçado, automatizado, tem matizes de totalitarismo que não condizem com o desejo de uma web livre.
No mais, fica a pergunta: o que você, leitor, prefere: veículos que condicionam obrigatoriamente a leitura de seu conteúdo no Facebook a aceitação de um aplicativo, ou canais que te dão a opção de ler o conteúdo, para somente depois perguntar se você gostaria de compartilhar aquilo com sua rede de contatos?
Agradecimento especial à Bruna Bonifácio, que me inspirou a escrever este post.
Ps: A imagem que ilustra o post é uma colagem que fiz, utilizando elementos retirados da web.
Clique no “play”, ouça a música enquanto você lê o post. No final, você vai entender o motivo do vídeo estar aí.
Hoje, vamos falar de orkutização. Como o nome já diz, o verbo “orkutizar” é um neologismo surgido a partir do nome da nossa velha conhecida, a rede social Orkut, primeira a se estabelecer no Brasil como fenômeno de popularidade. Popularidade essa que se tornou sinônimo de “breguice”.
Tudo porque algums pessoas não entenderam muito bem o real significado da revolução da informação. Essa, como o nome já diz, foi e está sendo um marco na história da humanidade, justamente por possibilitar que pessoas outrora isoladas (pelas mais variadas razões), pudessem se integrar a uma comunidade global de troca de informação. A internet, por si, não muda as pessoas. ela transpõe a realidade das pessoas para um meio que amplifica o alcance das opiniões.
Pra mim, Orkutização é a o termo que as pessoas usam para expressar o seu descontentamento em relação a democratização dos novos meios de informação e comunicação (NTICs). Essa democratização faz com que pessoas que supostamente não tem o mesmo capital cultural dos early adopters (os que primeiro fizeram uso da internet e de seus recursos), se utilizem das redes sociais de forma equívocada, construindo uma estética e um posicionamento sócio cultural considerados “pobres” na internet.
Mas estas mesmas pessoas, ao condenar a corrente “orkutizante” estão atestando que não tem capital cultural suficiente para entender que o propósito da web sempre foi esse, o de integrar, de fazer as pessoas se comunicarem em qualquer lugar, num curto espaço de tempo, de dar acesso a bens culturais de forma horizontal, permitir o diálogo entre universos diferentes, etc. Desde que Tim Berners-Leecriou a Web no final dos anos 80, começo dos 90, ela deveria servir para isso.
Mas, falar sobre a minha opinião acerca do tema já é, na realidade, elitizar o conteúdo e fechar a questão naquilo que eu penso, e o que eu penso não é reflexo da cultura da massa, ao menos não em todos os seus aspectos. Para saber sobre a massa, nada melhor que perguntar a ela. Portanto, resolvi fazer uma experiência: convidei diversos usuários da rede pra opinarem sobre o tema. Dizerem o que entendem por orkutização, e o que acham da coisa em si. pessoas de todos os níveis de escolaridade, de todas as classes sociais e opiniões políticas puderam se expressar, sem nenhum filtro de censura ou direcionamento. Simplesmente lancei o questionamento em meu perfil pessoal: “Estou estudando….me falem sobre o que vocês entendem por orkutização, e o que acham disso”. Abaixo, as conclusões a que chegaram:
“O termo “orkutização” é complicado de definir. Subentende-se que a adesão do Orkut por pessoas “sem cultura” ou “sem educação” INDEPENDENTE DE CLASSE ECONÔMICA trouxe para dentro desta rede diversos problemas geralmente atribuídos ao “povão…”
“orkutizção = inclusão digital nas areas sem cultura”
“é tudo aquilo que o pessoal que parcela o iphone em 24x não quer ver por aqui. Realidade das ruas,cara”
“Orkutização significa a inclusão dos meios digitais, programas ou dispositivos que possam ligar as pessoas socialmente às classes sociais mais baixas OU pessoas “sem cultura”(já é um termo difícil de se decidir).O orkut foi a inclusão de muitos brasileiros, de todas as classes e estados nas redes sociais, causando assim choques culturais. A orkutização nada mais é do que isso: O oposto da elitização – quando culturas adversas à primeira que fez uso do dispositivo se incluem, e causam conflitos por sua mera existência.”
“pelo que eu entendi, ‘orkutização’ é o termo que certos pseudo-pioneiros de redes sociais deram à popularização das mesmas e sua conseqüente ‘invasão’ por pessoas que não partilham do mesmo universo social/econômico/estético. Principalmente estético.”
“acho legal a parada de integração e acredito que é um direito de todos,compartilhar conhecimento até mesmo levar uma certa alegria ou dividir algo util, agora essa parada de por na rede algumas coisas é meio complicada.”
“não acho que seja um esforço para “brecar” a inclusão digital. é apenas o sentimento de perda de algo que sentia-se ser exclusivo”
“Orkutização, popularização do facebook, e de diversas redes sociais, da internet em geral. Pedeu o propósito inicial, virou bagunça, puro spam…= orkut!”
“A turma do orkut não tem cor, credo, classe social ou até mesmo gosto ou referencias culturais.Pra mim, orkutizar é deixar entrar o funkeiro do ônibus, o amigo mala que bebe demais e grita pra se comunicar, o torcedor imbecil que toca buzina depois da meia noite porque seu time fez gol, o cara que gasta 2000 reais num sistema de som só pra ouvir sua música no último volume.Basicamente adicionar as poucas maçãs podres que trazem para nós brasileiros a velha fama de gafanhotos da internet.”
“Existe uma coisa de instinto humano chamado “panela”. Panela é uma parada tão forte que é impossível de ser evitada em qualquer lugar do mundo. Por que? Porque é instinto humano. Panela vocês sabem muito bem, é um grupo formado por pessoas de mesmos interesses e afinidades.”
“A internet veio para integrar não é mesmo? Mas provavelmente ninguém tinha previsto ou estava preparado a esta integração de pessoas de panelas diferentes. Redes sociais criam este choque entre panelas.”
“Cara… há 500 anos os índios caminhavam felizes, nús aqui no Brasil… até que chegaram os renegados da Europa, os escravos da África e os pobres da Ásia e orkutizaram tudo isso aqui!”
“Velho pra mim o orkut é uma rede social, que com o tempo foi ganhando uma certa dimensão da qual acabou ficando banalizada por seus usuários, com excesso de informações inúteis e correntes virtuais irritantes, devido a falta de conceito à sua utilidade. E acho que depois disso tudo dentro de redes sociais que caem dentro deste paradigma, se trata de orkutização.”
“Representa a falta de cultura digital do brasileiro”
“necessidade de aparecer a todo custo”
“Um apelido criado por auto denominados “diferenciados” para algo que atingiu um nível de popularização palpável à massa”
“Eu quero mais é a favela toda conectada, isso sim!”
E eis uma amostra da orkutização, bem aqui, no nosso blogue: pessoas diferentes falando sobre seus pontos de vista de modo autêntico e um tanto quanto anárquico. O interessante é que todos esses comentários, se lidos por quem deles discorda, são exatamente a mesma coisa que se chama “orkutizar”: expor sua opinião e seus costumes sem se importar com uma suposta etiqueta dos meios digitais. E talvez isso prove algo. Talvez isso prove que a orkutização é apenas uma maneira de designar o que nos incomoda por diferir de nossa esfera de opinião e costumes, um modo de seguir com o velho hábito humano de separar o mundo entre “nós” e “eles”…ainda que saibamos que somos todos iguais.
Gente, o post de hoje é só uma recomendação de leitura, uma dica de um blogue muito interessante, o “Pensador Mercadológico”. O blogue se define como “Um grupo de pensadores mercadológicos que desejam mudar o mundo através de suas idéias”. Nós odiseos acreditamos na mudança, e acreditamos que ela se dará a partir das idéias. Portanto, nada mais adequado que conhecer outras pessoas que creem no mesmo que a gente. Cliquem no link abaixo, e tenham uma boa leitura e uma ótima viagem!